Segundo os relatos, a interrupção das atividades compromete a disciplina, a organização e a rotina escolar, além de gerar preocupação entr...
Segundo os relatos, a interrupção das atividades compromete a disciplina, a organização e a rotina escolar, além de gerar preocupação entre as famílias.
Pais de alunos de escolas cívico-militares da rede estadual denunciam um novo afastamento de militares da reserva das Forças Armadas que atuam nas unidades de ensino devido ao atraso no pagamento pelos serviços prestados pelo Governo do Amazonas.
Segundo os relatos, a suspensão compromete a disciplina, a organização e a rotina escolar, além de gerar preocupação entre as famílias. De acordo com os denunciantes, esta é a segunda paralisação registrada em 2026, reacendendo o debate sobre a continuidade do Programa Estadual das Escolas Cívico-Militares (PECIM).
O programa funciona em modelo de gestão compartilhada entre profissionais da educação e militares da reserva. Enquanto professores e gestores são responsáveis pelas atividades pedagógicas, os militares atuam no apoio disciplinar, na organização da rotina escolar, no controle de acesso às unidades e na promoção de valores como civismo e cidadania.
Instituído pela Lei Estadual nº 7.724/2025, o modelo é adotado por escolas que aderiram voluntariamente ao programa após consulta à comunidade escolar.
Pais relatam nova suspensão das atividades
A denúncia partiu de um pai de aluno da Escola Estadual Cívico-Militar Fueth Paulo Mourão, em Manaus. Segundo ele, os responsáveis foram informados de que os militares da reserva voltaram a suspender as atividades por causa do atraso nos pagamentos.
O pai afirma que o problema já havia ocorrido anteriormente e voltou a afetar o funcionamento da unidade.
"É um projeto muito importante para essas escolas, mas os militares estão sendo afastados por falta de pagamento pelo governo", disse.
Segundo o denunciante, na escola onde o filho estuda, os profissionais afastados são militares da reserva da Marinha, responsáveis por atividades ligadas à ordem e à disciplina.
"Lá na escola do meu filho são militares da reserva da Marinha. Eles trabalham muito na questão de ordem e disciplina, que são de suma importância dentro da escola", afirmou.
Comunidade relata impactos na rotina escolar
O pai relata que a ausência dos militares é percebida rapidamente por alunos, professores e responsáveis. Segundo ele, o trabalho desses profissionais influencia diretamente o comportamento dos estudantes e a organização da escola.
"Quando eles estão ausentes, a gente percebe que a escola fica muito bagunçada. Os alunos acabam não respeitando as orientações como antes e isso interfere na rotina da escola", relatou.
Ele também criticou a falta de prioridade do poder público para manter o programa.
"Esta já é a segunda vez que eles são afastados justamente por essa questão. O governo não dá a assistência necessária e nem a importância devida para manter esses profissionais trabalhando", declarou.
Comunicado informa motivo da ausência
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS teve acesso a um print de um grupo de WhatsApp de uma turma do 7º ano da Escola Estadual Cívico-Militar Fueth Paulo Mourão. Na mensagem, atribuída à direção da unidade, os pais foram informados de que os militares deixariam de atuar temporariamente por determinação da Associação Brasileira de Educação Cívico-Militar (Abemil).
Segundo o comunicado, a medida foi adotada devido ao atraso no pagamento do contrato de prestação de serviços.
"Senhores pais e responsáveis, venho por meio deste comunicar que, por determinação da ABEMIL Sede, em virtude dos atrasos no pagamento do contrato de prestação de serviço, o Corpo Educacional (militares) estará ausente da escola até que a situação se regularize. É o que me cumpre informar", diz a mensagem.
Posicionamento da Abemil
Em nota enviada ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a Associação Brasileira de Educação Militar e Cívica (ABEMIL) confirmou o afastamento temporário dos militares da reserva que atuam nas seis escolas cívico-militares estaduais sob sua gestão no Amazonas.
Segundo a entidade, o Governo do Estado ainda não realizou nenhum repasse previsto para 2026, apesar da existência de notas de empenho referentes aos pagamentos entre março e maio.
A associação informou que manteve as atividades utilizando o saldo remanescente de 2025, mas os recursos foram esgotados. O afastamento atinge todos os militares contratados pelo regime CLT e afeta cinco escolas em Manaus e uma em Tabatinga.
A ABEMIL afirmou que a retomada das atividades depende da regularização dos repasses e alertou que a interrupção pode comprometer o funcionamento das escolas, o desempenho dos alunos, o ambiente pedagógico e as condições de trabalho dos professores.
A entidade também cobrou do Governo do Amazonas a liberação urgente dos recursos previstos no Termo de Colaboração.
Sem resposta
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Associação Brasileira de Educação Cívico-Militar (Abemil) e com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas (Seduc-AM) para solicitar esclarecimentos sobre a denúncia e a regularização dos pagamentos aos militares.
Até a publicação desta reportagem, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestações dos órgãos citados.
Fonte: Portal Rios de Notícias



