![]() |
| Foto: divulgação/União dos Povos Indígenas do Vale do Javari |
Articulação extrajudicial busca evitar exposição sanitária e riscos de contaminação aos povos do Vale do Javari
O Ministério Público Federal (MPF) articulou um acordo extrajudicial entre o Distrito Sanitário Especial Índigena (Dsei) do Vale do Javari e a prefeitura de Tabatinga,
no interior do Amazonas, para minimizar os riscos de contaminação sanitária dos indígenas de recente contato da região. O acordo tem o objetivo de garantir que esses povos tenham prioridade
no atendimento da rede municipal de saúde.
Os povos indígenas de recente contato são aqueles grupos que mantêm interações limitadas e descontínuas com segmentos da
sociedade. Por esse motivo, a ausência de prioridade no atendimento a esse grupo é um fator de vulnerabilidade à sua saúde, por estarem mais tempo que o necessário expostos nas Unidades Básicas
de Saúde (UBS) ou outros estabelecimentos de saúde municipais.
Essa era a situação na Casa de Apoio ao Indígena (Capai) vinculada ao Dsei do Vale do Javari. Durante visita, o MPF
constatou que indígenas em trânsito por Tabatinga ficavam em longas filas de espera na rede municipal de saúde, deixando-os expostos por mais tempo que o necessário em unidades de saúde.
Após
a apuração dos fatos, o MPF articulou contato direto entre o Dsei e a Secretaria Municipal de Saúde para que definir melhorias no fluxo de assistência e cooperação. Dessa forma, o Dsei
e a Secretaria Municipal de Saúde do município decidiram que o atendimento ambulatorial aos indígenas terá prioridade na Unidade Básica de Saúde Ibirapuera.
A escolha da
unidade teve como critérios técnicos o menor fluxo de usuários, o que permite maior controle sanitário e proteção à comunidade indígena de recente contato, respeitando
a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas.
A prefeitura de Tabatinga ainda alertou seus gestores e trabalhadores sobre a ilegalidade de negar atendimento
por falta de comprovante de residência e orientou a equipe sobre os princípios da universalidade e equidade do Sistema Único de Saúde (SUS).
O procurador da República Gustavo Galvão
Borner, responsável pelo caso, destaca que o atendimento à demanda do MPF foi em cerca de 30 dias. “Foi uma intermediação simples. Provocar o contato entre os administradores do Dsei Vale
do Javari e a Secretaria de Saúde foi o suficiente para a correção da irregularidade para alcançar as melhorias necessárias para o atendimento prioritário dos indígenas de recente
contato”, observou o procurador, que atua no 2º Ofício da Procuradoria da República no Município de Tabatinga.
Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal no Amazonas

.jpeg)
0 Comentários