A derrota interrompe uma das mais longas trajetórias políticas do Congresso Nacional. Natural de Fonte Boa, no interior do Amazonas, Átila Lins chegou à Câmara pela primeira vez em 1991 e, desde então, foi reeleito consecutivamente em todas as eleições que disputou para deputado federal.

Ao longo de sua carreira, foram nove mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, totalizando 36 anos de atuação no Parlamento Federal. Antes disso, o político também exerceu três mandatos como deputado estadual, entre 1979 e 1991. Com isso, acumulou 12 mandatos parlamentares antes da eleição de 2026.

Conhecido como decano da Câmara dos Deputados, por ser o parlamentar com maior número de legislaturas em atividade, Átila Lins construiu sua carreira política com forte atuação junto aos municípios do interior do Amazonas. Durante décadas, tornou-se uma das principais referências da bancada amazonense em Brasília. A própria Câmara registra sua atuação na apresentação de emendas ao Orçamento da União, destinadas, entre outras áreas, à infraestrutura e à saúde no Amazonas.

Sua atuação na destinação de recursos por meio de emendas parlamentares também fez com que fosse conhecido politicamente como uma espécie de “rei das emendas”, especialmente pela relação construída com prefeitos e municípios do interior.

Nas eleições de 2022, Átila havia sido reeleito para o seu nono mandato federal com 102.401 votos. Em 2026, entretanto, apesar de ampliar sua votação para 118.182 votos, o crescimento não foi suficiente para garantir uma nova cadeira na Câmara.

A eleição deste domingo encerra, portanto, um ciclo iniciado há mais de três décadas. O parlamentar que chegou ao Congresso em 1991 e permaneceu 35 anos consecutivos na Câmara dos Deputados não estará na composição da bancada federal do Amazonas na próxima legislatura.

A saída de Átila Lins representa também uma mudança histórica na política amazonense: pela primeira vez desde sua chegada à Câmara, o nome do decano não estará entre os representantes do Estado em Brasília.

Por: Nailson Tenazor/Jambo Verde

Átila Lins perde eleição e encerra ciclo de 35 anos

Depois de 35 anos de presença ininterrupta na Câmara dos Deputados, Átila Lins (PSD-AM) está fora da nova bancada federal do Amazonas.

O resultado das urnas de 2026 encerra uma sequência que começou em 1991, quando o político de Fonte Boa conquistou pela primeira vez uma cadeira no Congresso Nacional.

A derrota tem um peso ainda maior porque Átila chegou à eleição como decano da Câmara, o deputado federal em atividade com a trajetória mais longa na Casa.

Em 2026, buscava o décimo mandato consecutivo em Brasília, depois de três mandatos como deputado estadual.

Com 99,68% das urnas apuradas, às 21h31, Átila obteve 117.179 votos, mas a votação não foi suficiente para garantir uma das oito cadeiras destinadas ao Amazonas.

A vaga do PSD ficou com o colega de partido Sidney Leite, que obteve 137.105 votos.

A eleição interrompe uma trajetória parlamentar de quase meio século.

Antes de chegar à Câmara, Átila exerceu três mandatos consecutivos como deputado estadual, entre 1979 e 1991. Foi presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas e participou da Assembleia Estadual Constituinte.

Na Câmara, iniciou o primeiro mandato em 1991 e, desde então, foi reeleito em todos os pleitos federais.

A sequência:

• 1º mandato federal: 1991–1995

• 2º: 1995–1999

• 3º: 1999–2003

• 4º: 2003–2007

• 5º: 2007–2011

• 6º: 2011–2015

• 7º: 2015–2019

• 8º: 2019–2023

• 9º: 2023–2027

• 10º: não conquistado em 2026

O resultado transforma 2026 na primeira derrota de Átila Lins em uma eleição para deputado federal desde sua chegada à Câmara, em 1991.

“Rei do Interior” não conseguiu repetir a força

A derrota ganha uma dimensão particular pelo perfil eleitoral construído por Átila ao longo das décadas.

Conhecido como “Rei do Interior”, o deputado construiu uma base que ultrapassa os limites de um município ou de uma região. Sua estratégia sempre esteve associada à presença física nos municípios, ao relacionamento com prefeitos e lideranças locais e à destinação de recursos para obras e serviços.

Na campanha de 2026, essa atuação voltou a ser uma das principais marcas do deputado.

Átila percorreu municípios do interior, manteve contato direto com prefeitos e apresentou emendas destinadas a áreas como saúde, educação e infraestrutura. Dados da Câmara mostram, por exemplo, recursos de suas emendas de 2026 destinados à infraestrutura de municípios do Amazonas e à estruturação de serviços de saúde.

A estratégia, contudo, não foi suficiente para assegurar a permanência em Brasília.

Sidney Leite vence a disputa dentro do PSD

O resultado também representa uma mudança importante dentro do próprio PSD.

Átila e Sidney Leite chegaram à eleição disputando uma das cadeiras que o partido buscava manter. Sidney, deputado federal desde 2019 e também ex-prefeito de Maués e ex-deputado estadual, terminou à frente do colega de legenda no cenário que se confirmou nas urnas.

Na pesquisa espontânea do Ipen/G6 divulgada em 29 de setembro, Sidney apareceu com 2,2% das citações, enquanto o PSD, somados os nomes identificados pelo levantamento, alcançou 8%. O levantamento ouviu 1.200 eleitores entre 18 e 25 de setembro, em Manaus e dez municípios do interior, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais.

O dado, isoladamente, não determinava o resultado eleitoral, mas mostrava uma disputa ainda aberta dentro da legenda às vésperas da votação.

Nicson Marreira entra no jogo

Um dos elementos da campanha de Sidney esteve no Médio e Alto Solimões.

O prefeito de Tefé, Nicson Marreira, assumiu papel de articulador e coordenador da campanha de Sidney na região, ajudando a organizar a estrutura eleitoral do deputado em uma área tradicionalmente importante para a votação de candidatos do interior.

O resultado colocou frente a frente dois modelos de construção eleitoral dentro do mesmo partido: de um lado, a estrutura histórica de Átila, construída durante décadas e espalhada pelos municípios; de outro, a articulação mais recente de Sidney, com lideranças municipais e presença especialmente forte no Médio e Alto Solimões.

No cenário que se confirmou nas urnas, a estrutura montada por Sidney prevaleceu dentro do PSD.

Emendas contra estrutura política

A derrota de Átila também produz uma situação incomum para um parlamentar cuja atuação política esteve fortemente associada à entrega de recursos e à articulação com prefeitos.

O deputado chegou ao pleito defendendo justamente essa trajetória como uma de suas credenciais.

Na página oficial da Câmara, suas emendas de 2026 incluem recursos para infraestrutura básica, unidades de atenção especializada em saúde e custeio da atenção primária.

Mas a presença institucional construída em Brasília não se converteu, desta vez, em votos suficientes para assegurar mais quatro anos de mandato.

A primeira derrota em Brasília

Aos 75 anos, Átila Lins deixa a Câmara depois de uma trajetória que começou ainda no século passado.

Foram três mandatos estaduais e nove federais consecutivos, totalizando 12 mandatos parlamentares antes da eleição de 2026. Agora, a sequência é interrompida.

A derrota também modifica a composição histórica da bancada amazonense. O deputado que durante anos foi referência de longevidade política no Congresso não estará entre os oito representantes do Estado a partir de 2027.

O “Rei do Interior” conseguiu manter uma trajetória de 35 anos sem interrupção. Em 2026, porém, o interior não foi suficiente para levar o decano de volta à Câmara.

Por BNC

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados